Antes de mais nada, boa noite!
Não vou prolongar o texto e nem vou criar estórias inventadas para atrair o público, mas irei compartilhar o que tem acontecido comigo. Sou jovem, tenho 20 anos, faço faculdade e trabalho. Até então nada que fuja do aceitável, porém a história muda quando acrescento que sou bissexual.
Aos 15 anos me relacionei com um rapaz com quem vivi durante 4 anos, lindos e intensos 4 anos. Aprendi diversas coisas, inclusive que não deveria deixar que alguém tomasse as decisões por mim. Fui muito feliz e me senti amada durante todo o tempo. Não éramos o casal perfeito e nossa história não era tão linda quanto nos filmes, mas fomos muito felizes. Existia amor e a vontade de que querer construir uma história, ou seja, nós sonhávamos em nos manter ao lado um do outro. Porém, infelizmente, tudo mudou quando decidi que não iria mais ficar ao lado dele e que ele precisava se comprometer com algo na vida além dos jogos. A nossa vida era linda porque estávamos vivendo separados e que isso mudaria caso eu respondesse "sim" no altar (era o combinado, eu aceitar o pedido.), mas eu recuei. Falei que não queria, pois estava cansada de pedir que ele estudasse e trabalhasse. E o que ele fez? Disse que eu era louca. E de fato, eu estava louca. Estava louca de amor quando todos falavam que ele não servia porque não tinha compromisso com nada e mesmo assim eu acreditava em suas promessas; estava louca quando meus pais eram contra e eu lutava com todas as forças para manter um amor que me fazia bem, pelo menos eu achava que fazia, não sei. Estava louca quando fui proibida de sair na rua com alguma roupa que o incomodava. Realmente, eu era louca!
Esse foi meu primeiro contato com um amor. Um amor que aparentemente que causava sensações maravilhosas e que me frustrava na mesma medida. Após a separação conheci uma garota que me apoiou e me apresentou um outro lado da vida. Nos tornamos amigas, conversamos, partilhamos as frustrações dos relacionamentos que não tiveram um desfecho adequado, nos tornamos intimas mais rápido do que criança fazendo amizade em parque infantil. Eu não planejei sentir e ainda tentei evitar. Era vergonhoso pra mim ter que lidar com uma emoção assim por alguém do mesmo sexo. Comecei a inventar histórias na minha cabeça de como fugir daquela situação onde todos declaravam que estávamos envolvidas, mesmo que não tivéssemos tido qualquer tipo de contato físico além dos nossos abraços protetores.
Me censurei. Censurei o que estava sentido, pois era contra os padrões aceitáveis e tinha um emprego e reputação a zelar. O que iriam pensar de mim? Quem eu me tornaria? Como seria daqui pra frente? E se não fosse correspondido? E se não fosse real? Me perdi no meio das perguntas, porém encontrei o caminho de volta quando ela me beijou em 19 de agosto de 2016.


